6 - A Visita

"O que é verdade para você criança triste e sem destino? ... Sou apenas o nada neste mundo criado pelas estrelas"

Ela

Foi então que ela pediu a minha ajuda. Apareceu a noite. Disse que para isso eu deveria ouvir sua historia e que a principio não faria sentido.

Vestia um vestido amarelo ouro, tinha algo na mão direta que refletia e outro objeto na mão esquerda, como uma lamparina. Era como se fosse em um sonho, quando não enxergarmos com tanta nitidez. Ela estava em pé no fim do corredor. Mas eu a ouvia com clareza.

Me avisou que a historia seria imersiva, eu sentiria tudo, emoções, dor, alegria e raiva. 

Apenas me pediu para não abrir as cortinas, pois eu estava sendo observada. 

Perguntei se ela era um espírito, ela respondeu que ainda não. Perguntei por que eu, respondeu que eu entenderia no fim.

Disse que me daria uns dias para pensar, pois aquilo seria irreversível após o começo. E que a dor seria intensa. Que eu conhecia o fim, mas precisava entender o começo.

Não senti o abismo neste dia, foi a primeira vez em meses que eu sentia ser algo importante. Fiquei a noite inteira no sofá vendo o dia amanhecer e suas varandas. A cortina se manteve aberta, e as flores da outra varanda pareciam em brasa.

Maria Marx

Comentários