8 - Chegada ao Abismo

"O destino de uma criança esta nas mãos de todos nós"

Capitulo 1 – O doce perfume

Sara acordou com um clarão branco, se sentia um pouco tonta, a mão dormente, mas conseguiu segurar em algo, essa foi à primeira percepção depois daquilo. Visão um pouco turva como se fosse uma bebedeira, tons amarelados e translúcidos, e em meio a esse misto de confusão e amnesia, se questiona - Onde estou?. 

Sara por um momento em meio a esse devaneio sentiu como se estivesse na campina, no verão, conseguia até sentir o cheiro de jasmim, e o perfume fresco de sua amiga. Não entendia como, mas lembrou do dia em que escondidas pegarem um vinho da adega de seu avô. Sentindo como se estivesse em um sonho, percebe como por um estalo que a guerra ainda não acabou.

Sua audição começa a voltar lentamente, e esse devaneio se despedaça com um zumbido fino, e retorna. Ainda sentia a dormência e o amarelão da experiência sentida, levanta-se e vê que sua casa havia sido invadida pelos soldados inimigos, olha ao seu redor e percebe que está no porão, neste momento sente uma presença estranha e não humana aos seus pés.  

A vontade de correr aumenta, mas logo foi barrada pelos barulhos e estilhaços de tiros, tenta se esconder um pouco atrás de uma pilastra de madeira úmida e velha, olha escada acima observando atentamente os feixes de luz saindo por trás das paredes e em seus pensamentos questiona: - Que calor é esse em meus pés?. Depois de um grande estrondo os barulhos das armas cessam e alguém a chama: - Sara! Sara! Pode vim! Ela olha pra cima e ver um rosto conhecido, vestindo uma farda do exército vermelho.

Sara sobe as escadas correndo mesmo com alguns degraus soltos não tropeça, neste momento tem um panorama da aparência da casa, era um repleto cenário de guerra, móveis destruídos, quadros pegando fogo, entulhos flamejantes por todos os lados, contudo algo lhe intriga, o relógio de seu avô ainda estava intacto marcando a hora 15h15min, era um antigo relógio de coluna de carvalho, bem lustrado, com traços perfeitos que remetia nostalgia. Por hora percebe a presença de seu pai um pouco a direita da saída do porão, ele gritava com algum soldado, ela se distrai com crianças correndo pelos corredores acima da sacada da sala principal e deleita-se ouvindo os seus sorrisos. Ela sobe a escadaria do salão de entrada que tinha uma arquitetura antiga, talhada em madeira de lei, correndo direciona sua atenção para os quartos  tentando encontrar a origem dos risos. Em seu pensamento emanava de forma inconsciente e suave a vontade de procurar algum instrumento para se defender, e este pensamento a leva a entrar em um dos quartos. Mesmo com toda a fumaça aquele quarto lhe trazia uma boa sensação, era o quarto de sua avó Brunnehilde, que carinhosamente desde menina a chamava de Bu. Como aquele quarto a acalmava, mal sentia falta do mundo, observava lentamente toda emoção que aquele quarto lhe remetia outrora em dias de chuva, nem percebia que chovia cinzas, 

Parada no meio do quarto vestindo seu casaco vermelho, olha-se no espelho um pouco trincado, pega em seus cabelos ruivos na altura do ombro, inclina a cabeça para mais próximo ao espelho e fala em voz alta -Ele parece se mexer!, Com sua mão estendida tenta encostar no espelho que parecia ondas que interagiam com os seus leves toques, enquanto isso escuta os sorrisos novamente e vira-se para a porta e vê uma pequena adaga no chão, com uma bainha de couro com detalhes dourados, ela se aproxima até a porta, olha para os lados não ve ninguém, somente vozes de homens dando ordens, se abaixa e pega a adaga, em seus detalhes percebe que tem uma escritura talhada no cabo da adaga e fala em voz alta "ALAISIAGAE ".  

Logo após Sara profanar a palavra escrita na adaga ocorre um estrondo seguido de um rugido agonizante, parecido com um vento forte entrando em uma caverna. No impulso ela corre para a janela que ainda estava fechada por pedaços de madeiras e tenta ver pela fenda, só enxergou muita fumaça, até que ela se assusta com alguém tocando em seu ombro, ela esconde rapidamente a adaga dentro do seu casaco e vira-se, então vê seu irmão do Meio Albert, com aquele olhar de esperança que só é transmitido por crianças adultas diz, -Sarah...O que você esta fazendo aqui em cima? Você sentiu aquilo de novo? Perdi o Klaus de vista! Nisso se joga nos braços de Sara e começa a chorar. -Calma Albert, calma. O que aconteceu? ele responde soluçando -Aconteceu aquilo de novo... O Klaus ficou estranho novamente... E eu não lembro mais de nada... Acordei no chão do porão e... , Sara faz uma cara reconhecendo o que havia acontecido, olha para adaga e fala - O que foi que eu fiz?!

                         Maria Marx como Sarah


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